Atualmente as tendências na gastronomia são quase tão rápidas – na propagação e na velocidade com que se sucedem – como na moda. Vantagem? A possibilidade de estarmos constantemente a descobrir novas opções culinárias (o que não nos dá tempo de nos cansarmos), provenientes de todos os cantos do mundo. Problema? A necessidade de estarmos sempre a atualizar o nosso paladar e vocabulário (o que convenhamos, não é bem um problema).

Os exemplos são imensos mas hoje vamos focar no peixe não cozinhado. A chegada dos restaurantes japoneses banalizou o sushi e o sashimi e a oferta tornou-nos experts. Começámos a identificar a qualidade do peixe e a saber dizer não quando é caso disso. 

Quando o sushi passou a fazer tanto parte dos nossos menus semanais como o cozido à portuguesa, a cozinha peruana chegou em grande. E o ceviche também entrou nas nossas ementas sem qualquer dificuldade. 

Enquanto tudo isto aconteceu, a comida italiana continuou a ter o seu trono protegido com as omnipresentes pizzas, pastas e, sim, carpaccios. O mais famoso continua a ser o de novilho mas atualmente o de bacalhau ou polvo é muito requisitado. E eis que se anuncia a era do tiradito! Porque gostamos de novidades mas também porque o mundo é cada vez mais global. Trata-se de um dos pratos da cozinha Nikkei – a resultante da influência dos imigrantes japoneses no Peru. O corte do Tiradito é mais fino que o sashimi mas mais grosso que o carpaccio. E, ao contrário do ceviche, é temperado de uma forma mais suave, com menos intensidade cítrica. Não é marinado mas servido em cru, o que o aproxima mais do sashimi mas, depois de temperado, é obviamente peruano, ou melhor, Nikkei. 

Será que vamos ter Tiraditos Bars? Será a próxima grande tendência? Provavelmente!

NNC (texto) F&P (fotografia)
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