Primeiro: Com sensibilidade e bom senso. Ou seja: se se trata de um restaurante que se tornou conhecido por seguir uma determinada linha, não faz sentido mudá-la radicalmente substituindo-a por uma qualquer tendência fugaz. Vamos tomar a Cervejaria Ribadouro como exemplo. Uma cervejaria inaugurada em 1923, numa das esquinas mais emblemáticas da Avenida da Liberdade, bem perto do Parque Mayer. Conhecida por servir mariscos de excelente qualidade e pratos tradicionais – como o Lombo de Bacalhau Assado e a Carne de Porco à Alentejana –, continua a ser o espaço que não falha quando se quer comer umas ostras frescas, umas amêijoas à Bulhão Pato, um prego ou um pudim em forma de metal.

Segundo: Atualizar não é desvirtuar. Mantendo a carta clássica na sala interior – reconfortante na sua solidez e decoração tradicional – expandiu a oferta para um menu mais “moderno” (onde há já saladas e pratos mais ligeiros) no quiosque exterior cuja exploração é detida pela Ribadouro desde 2014, ano em que a Avenida estreou os quiosques. O quiosque/esplanada tem uma vocação mais descontraída mas não interfere em nada com as propostas de sempre da casa.

Terceiro: Acrescentando algo de novo àquilo que já é (muito) bom. Esse é o segredo. Conseguir um espaço em que as gerações que o conheceram desde o início se sentem confortáveis mas onde os mais jovens podem optar por propostas mais perto dos seus hábitos de consumo. E quer se opte por uma sala tradicional ou por uma esplanada de rua, a certeza que o conhecimento e arte de bem servir é transmitido, como facilmente se percebe ao falar com um gerente que trabalha na casa há 30 anos e que fala com orgulho do passado sem recusar a necessidade de olhar sempre de frente para o futuro. 

NNC (texto) Arquivo Municipal de Lisboa (fotografia)

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